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Boane luta contra casamentos prematurosOs casamentos prematuros preocupam a sociedade, uma vez que muitas raparigas são forçadas a abandonar a escola e assumir responsabilidades no lar, podendo morrer durante o parto ou contrair doença.


Rosa Masive uma menina de 13 anos, é exemplo de tantas no país que se viram forçadas a viver maritalmente com um homem mais velho (de 25 anos), e obrigada a deixar de estudar. Na altura, ela frequentava a sexta classe no distrito de Boane, província de Maputo. A relação durou pouco tempo porque os líderes comunitários e o Governo local intervieram no caso e chamaram à razão os pais da menor sobre as implicações da sua atitude no futuro da menor.


Disseram aos progenitores que muitas raparigas, quando casadas, engravidam, abandonam a escola, ficam exposta à violência e desenvolvem doenças e/ou morrem durante a gravidez ou no parto. Rosa é um nome fictício para descrever a história real desta menina que, por sorte, foi salva de uma relação forçada e já regressou à escola e à casa dos pais, mas há muitas outras meninas que não tiveram a mesma felicidade.

Em Moçambique, estatísticas oficiais apontam para quase metade das mulheres casadas antes dos 18 anos, o que coloca o nosso país nos lugares cimeiros na região austral de África e no mundo em números de casamentos prematuros.

“ No caso desta rapariga, os pais consideravam que já estava crescida e que era melhor que casasse quanto antes para evitar engravidar sem que esteja no lar e, o autor furtar-se da responsabilidade. Mas explicamos que o melhor caminho era a menina continuar a estudar até ao momento apropriado e, felizmente, os pais ouviram-nos.

Tivemos de nos comprometer a fazer acompanhamento da rapariga para evitar que ela engravide antes dos 18 anos”, disse Rosaria Macicane Vereadora da Educação, Juventude, Desporto, Cultura e Acção Social no município de Boane.


Esta é a luta que muitos intervenientes estão a travar no país, particularmente no distrito de Boane, para evitar que as meninas se casem antes de estarem preparadas física e psicologicamente para assumir um lar.

Diferentes actores, entre líderes comunitários, religiosos, médicos tradicionais, estudantes, professores, agentes da polícia, enfermeiros e membros do Governo, participaram semana passada num curso de capacitação sobre casamento prematuro, saúde sexual e reprodutiva.

No final, admitiram que os casamentos prematuros precisam de um combate coordenado. Alice Banze, directora executiva da Gender Links, organização não governamental responsável pela promoção da referida capacitação, considera que foram muitas as conquistas alcançadas, mas o desafio ainda é maior.

“ Há necessidade de muito trabalho na mudança de atitude, comportamento, maneira de ser e estar. Por isso, precisamos lutar cada vez mais se quisermos proteger o futuro dos jovens e do nosso país”, defendeu.

Apontou que Moçambique precisa de trabalhar ainda mais no combate aos casamentos prematuros, na promoção da saúde sexual e reprodutiva, na educação, empoderamento económico da mulher e na luta contra a violência baseada no género, HIV/SIDA e a pobreza extrema.

“ Estas são as áreas-chave que podem contribuir para o alcance da igualdade de género e de um mundo livre de todas as formas de violência contra a mulher e rapariga na sociedade”, sublinhou.

A capacitação surge no âmbito da implementação das metas da SADC sobre género e desenvolvimento assinado ano passado pelos estados-membro na Suazilândia para o período 2015/2030. Está igualmente inserida na estratégia do governo e na iniciativa do gabinete da primeira-dama de luta contra os casamentos prematuros lançada recentemente em cabo delgado.


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