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casamento prematuro Afinar a estratégia para produzir resultadosA estratégia de luta contra casamentos prematuros deve ser afinada para produzir resultados concretos, ao mesmo tempo que os conteúdos das mensagens, que tem sido veiculada para alterar o cenário, precisam de ser aprimoradas. Esta observação foi feita por Dulce Passades, docente na Universidade Pedagógica.

Ela falava quarta-feira, em Quelimane, durante a conferência provincial subordinada ao tema “Partilha de Boas Praticas na Educação da Rapariga”, que reuniu na mesma sala o Governo, parceiros nacionais e estrangeiros, e ainda as organizações da sociedade civil. Segundo a pesquisadora, apesar de vários segmentos sociais e políticos erguerem a voz contra os casamentos prematuros, há cada vez maior número de raparigas que se casam precocemente, comprometendo a sua formação escolar e das suas famílias, perpetuando deste modo a pobreza.

De acordo ainda com Dulce Passades os números que têm sido revelados pelas pesquisas sobre o assunto são alarmantes e precisam de uma resposta bem estruturada, como, por exemplo, bolsas de estudo, criação de círculos de interesse nos estabelecimentos de ensino e bairros, perspectivas de integração profissional após a formação, entre outros incentivos.


Apesar de o Governo e seus parceiros de cooperação estarem a intensificar as campanhas de combate a desistência da rapariga nas escolas, principalmente na zona rural, parece que as medidas não estão a dar resultados. Dados apurados durante o seminário indicam que nos últimos três anos mais de 183 raparigas na Zambézia desistiram de frequentar as aulas por razões ligadas a múltiplos factores socioculturais, como os casamentos prematuros, gravidezes indesejadas e ritos de iniciação.

De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística, no triénio de 2007-2009, 99% das raparigas matriculadas no Ensino Primário, metade não concluiu a 5ª classe e apenas 11% continuam com os estudos até ao ensino secundário e 1% prosseguiram para o ensino superior. A situação da rapariga na Zambézia, segundo dados do instituto nacional de estatística, indicam que apenas 21% das mulheres eram analfabetas e 57% dos homens eram alfabetizados, o que mostra claramente que o fosso entre o homem e mulheres que tiveram acesso aa educação formal continua ainda muito grande.

Para contrariar este fenómeno, a associação moçambicana de mulheres na educação (AMME), organizações da sociedade civil, e as instituições do ensino superior estão a preparar um plano de resposta. O seminário, que teve lugar esta semana em quelimane, visava discutir as estratégias de melhorar a intervenção nos programas para a eliminação dos casamentos prematuros.

Durante a conferência, Dulce Passades afirmou que as palestras serão feitas em todos os distritos no sentido de dar a conhecer aos familiares das raparigas, assim como as comunidades os riscos das mesmas casarem muito cedo, tendo em conta que ainda não estão suficientemente preparadas para enfrentar um lar. “Uma rapariga de 12 ou 15 anos, para além de não estar biologicamente preparada para o casamento, não esta em condições de assumir as responsabilidades do lar”, disse.


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